Subvercine
14/07/2006
Eu já fui rato do Anima Mundi...

... mas hoje não tenho mais paciência.
Não tenho paciência pra chegar ao CCBB às 9 da manhã e ficar na fila até meio-dia (porque os ingressos esgotam muito rápido).
Não tenho paciência pra organização do evento, que diz que trouxe 400 e não sei quantos desenhos, espalhados por trocentas mostras, quando na verdade só meia dúzia deles presta (e haja sorte pra saber quais são).
Não tenho paciência para o público desse evento, que dá gargalhadas por qualquer babaquice exibida ou em momentos sérios (aliás, público de qualquer festival é assim).
Não tenho paciência pra desenhos em Flash feitos por adolescentes. Todos têm um cocô animado ou sapos que peidam ou alguma outra coisa relacionada a fluidos corporais dançantes.

Talvez eu seja um recalcado. Tavez esta implicância com o Anima Mundi tenha começado no saguão do CCBB, em um episódio que me persegue até hoje. Em 1990 e alguma coisa, escolhi com amigos uma sessão de curtas-metragens de vários países: Portugal (uma salsicha fugindo da frigideira, hilário), Suíça (cores psicodélicas e diálogos incompreensíveis), Alemanha (menina no canto do quarto escuro, tema recorreeeeeeeente...). Alguns sem diálogos, outros sem legendas... por conta disso, ficamos sem entender alguns dos desenhos. Até aí tudo bem, os curtas tinham um visual legal, era suficiente. Na saída, perguntei a uma das jovens senhoras com camiseta de "APOIO" da organização se havia planos de se legendar os desenhos para os próximos eventos, já que havíamos passado por uma sessão cheia de desenhos holandeses e chineses e ficamos boiando nos diálogos.

Qual foi a resposta da velhinha?

"Use your imagination".


Escrito por Daniel Malavasi em 14/07/2006
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05/07/2006
Mais expectativa

Vou continuar incrementando lista dos filmes mais desejados da temporada 2006. Não, "Superman" não está na minha lista. E sim, filmes "desejados", porque nem todos têm garantia de exibição. Estas são obras de diretores festejados pelos críticos, mas só agora começam a cair no "gosto" do público. Tenho a esperança de que a qualidade do trabalho deles não tenha caído e qualquer comentário dos críticos em festivais será solenemente ignorado. Vou fazer de tudo para pegá-los no Festival do Rio. Se vierem.


THE SCIENCE OF SLEEP, de Michel Gondry
Previsão de estréia - EUA: 4/agosto

Gael García Bernal viaja na maionese em mais uma loucura Gondryana

Junto com Spike Jonze e Chris Cunningham, o francês Michel Gondry forma a santíssima trindade do videoclipe. Seus trabalhos elevaram a música de artistas como Björk, Massive Attack e Chemical Bros. a um outro nível de percepção audiovisual. Se alguém inventou o videoclipe (você sabe quem foi?), eles inventaram a música para se comer com os olhos, inventaram uma outra coisa ainda sem nome. Apesar disso tudo, a estréia de Gondry no cinema foi apenas mediana. Mesmo com o roteiro do genial Charlie Kaufman, "Natureza quase humana" não emplacou. Em compensação, o que viria a seguir seria uma rendenção gloriosa: o intrincado e poético "Brilho eterno de uma mente sem lembranças", mais uma vez com roteiro de Kaufman. Agora, neste último longa, escreve sozinho a história de um homem perdido entre seus sonhos e a realidade. Promete.


DAS PARFUM - DIE GESCHICHTE EINES MÖRDERS, de Tom Tykwer
Previsão de estréia - Alemanha: 14/setembro - EUA: 8/dezembro

O assassino sem cheiro de Patrick Süskind mata por odor

O diretor alemão Tom Tykwer ficou conhecido com o frenético "Corra Lola, corra", mas seu estilo segue outro ritmo. Seus filmes são contemplativos, bem fotografados, nos quais as questões dos personagens são resolvidas aos poucos, lentamente. "Paraíso", seu último longa, tinha roteiro do polonês Krzysztof Kieslowski. Curiosamente, até aqui, todos os seus protagonistas eram mulheres. Agora, em "Das parfum", o diretor aposta em uma adaptação literária. O best-seller homônimo de Patrick Süskind trata de um homem que não exala odores, porém possui olfato apuradíssimo. Após aprender as técnicas de perfumaria, passa a capturar odores em busca do perfume perfeito. Só há uma coisa que me desagrada desde agora: o filme se passa na França, foi escrito por um alemão, mas é falado em inglês. Não faz o menor sentido. Talvez os produtores tenham optado pela língua inglesa para introduzir Tykwer no mercado americano, o que é péssimo, pois pode fazer com que o trabalho do diretor seja diluído. Um fato curioso: Kurt Cobain era fã do autor do livro e compôs uma música ("Scentless apprentice", do álbum "In Utero") sobre a história do personagem.


BABEL, de Alejandro González Iñárritu
Previsão de estréia - EUA: 27/outubro

Iñárrito tenta fazer com com que Pitt interprete alguma emoção

A estréia arrebatadora com "Amores brutos" levou rapidamente o diretor mexicano ao mercado americano. Depois do incensado "21 gramas", Iñárritu volta a costurar histórias diferentes para refletir sobre relacionamentos, amor e as conseqüências das escolhas neste "Babel". Como tem Cate Blanchett e Brad Pitt encabeçando o elenco, fico novamente tenso com o poder da produção sobre a criação do diretor.


THE FOUNTAIN, de Darren Aronofsky
Previsão de estréia - EUA: 13/outubro - Brasil: 2/novembro

As três encarnações de Hugh Jackman. A bela Rachel Weisz e a fera Darren Aronofsky em baixa resolução na Comic-Com 2005.

Não gostei de "Réquiem para um sonho". Todo mundo ficou impressionado com a agilidade da história e a crueza com que o tema (o vício como escape da realidade massacrante) foi tratado. Tudo não passa de um grande videoclipe, que poderia ser exibido para alunos da oitava série, de tão didádico que é. O filme se resume ao lema: 'Se você usa drogas, você vai morrer'. E só. Mesmo assim, estou ansioso por "The Fountain", próximo filme de Darren Aronofsky. O argumento é interessante: ao longo de mil anos, um homem encarna um conquistador do século XVI, um cientista dos dias atuais e um astronauta no século XXVI, buscando o segredo da vida eterna para tentar salvar a mulher que ama. Pelo trailer dá pra ver que, visualmente, deve manter a qualidade de "Réquiem". Só espero que Aronofsky não tenha escrito mais uma história para crianças, pois o roteiro deste também é dele.


Daqui a pouco listarei mais imperdíveis. Fiquem ligados!


Escrito por Daniel Malavasi em 05/07/2006
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27/06/2006
Expectativa 2006 - 2° semestre

Passados os festivais de Cannes e Berlim, é a vez de Veneza, em agosto, completar o panorama da produção cinematográfica internacional em 2006. Não me importo com as premiações, não acredito em concurso de obras de arte, mas acompanho os festivais para conhecer novos autores potencialmente interessantes. Às vezes, é pelos festivais que fico sabendo também dos últimos filmes dos meus diretores favoritos.

Logo após Veneza, começa a contagem regressiva para os dois maiores festivais de cinema do país: o Festival do Rio (21 de setembro) e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (20 de outubro). É também quando começa meu desespero. São dezenas de filmes, horários incompatíveis com o dia de trabalho, ingressos esgotados no primeiro dia de festival e as infames sessões únicas. Que ódio!

Como não é possível ver tudo, a programação antecipada é fundamental. Mesmo que os nomes dos filmes só sejam divulgados às vésperas, eu já tenho a minha própria lista de "imperdíveis". Vou começar com alguns diretores consagrados, que podem até estrear aqui antes dos festivais.

VOLVER, de Pedro Almodóvar
Previsão de estréia - Espanha: março - EUA: 3/novembro - Brasil: 10/novembro
Carmen & PedroCada filme do diretor espanhol é um acontecimento, desde que "Mulheres à beira de um ataque de nervos" chegou ao Oscar. Desta vez, o cineasta volta a falar do universo feminino, acompanhando três gerações de mulheres sofridas, mas cheias de vitalidade. Uma comédia dramática com tons surrealistas, um "retorno às origens" do cineasta. O filme também marca a volta de Carmem Maura em um filme de Almodóvar, depois de terem passado anos sem se falar.

SCOOP, de Woody Allen
Previsão de estréia - EUA: 28/julho
Woody & ScarlettEstudante de jornalismo se depara com um furo de reportagem durante viagem de férias. Ela inicia uma investigação e se depara com magia, assassinato, mistério e, quem sabe?, até o amor. Uma comédia de Woody Allen... precisa dizer mais? Basta saber que o filme é dele, pronto: já criou expectativa. O trailer lembra um pouco o clima de "O Escorpião de Jade", um dos filmes mais bobos do diretor... mas parece que, depois de "Match point", Woody voltou a acertar a mão.

MARIE ANTOINETTE, de Sophia Coppola
Previsão de estréia - EUA: 20/outubro - Brasil: 12/janeiro/2007
Kirsten & SophiaO último filme da responsável pelos deliciosos "Virgens suicidas" e "Encontros e desencontros" acompanha a vida da menina que se tornou rainha da França e se tornou uma das figuras mais controversas da história. Ao contrário dos filmes de época tradicionais, a edição e a trilha sonora são mais "frenéticas" e modernas. Durante o festival de Cannes, os críticos vaiaram o filme. Tavez não seja para tanto...

A SCANNER DARKLY - Previsão de estréia - EUA: 7/julho - Brasil: agosto
FAST FOOD NATION - Previsão de estréia - EUA: outubro
Ambos de Richard Linklater. Consagrado no circuitinho depois dos cultuados "Waking life", "Antes do amanhecer" e "Antes do pôr-do-sol", flertou com o mainstream abobalhado em "Escola do rock" e "Chegaram os Bears". Agora, o diretor aposta em duas frentes distintas: "A scanner darkly" é uma adaptação do romance de paranóia futurista de Philip K. Dick e vai utilizar de forma mais avançada a técnica de animação desenvolvida em "Waking life". Já "Fast food nation", inspirado no livro do jornalista americano Eric Schlosser, parece uma extensão natural do documentário "Super size me" e reflete sobre as práticas da indústria americana de alimentos.



Ao longo da semana vou publicando mais "imperdíveis". E você, está esperando o quê?


Escrito por Daniel Malavasi em 27/06/2006
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23/06/2006
As piores estréias do final de semana

Sexta-feira está aí, caderninho de cultura na mão pra escolher o filme que vai nos fazer esquecer a semana atribulada, a CPI das lesmas e a Copa. Das estréias, nada com potencial para o melhor filme do ano, mas pelo menos duas delas têm toda a chance de ganhar a Framboesa de Ouro. Se observarmos os trailers bem de perto, veremos não somente o quanto o cinema americano precisa de melhores diretores, atores e roteiristas... precisa também de muita vergonha na cara e senso de ridículo.


Já vai tarde

Assisti ao trailer da refilmagem de Wolfgang Petersen para "Poseidon"... e quase vomitei. Eles não se cansam de fazer o mesmo filme, um após o outro, sobre o mesmo assunto? Claro que não. O público continua pagando pela montanha-russa de "emoções". O curioso é que as curvas são sempre as mesmas, a queda é logo após o aclive, o loop vem sempre depois da espiral. Me espanta que isso ainda seja capaz de tirar o fôlego de alguém.


Wolfgang Petersen orienta os atores em "O destino do Titanic II - Inferno nas ondas"


O horror, o horror

Depois de "Romeu + Julieta", a ópera-clipe de Baz Luhrmann, vejam a que ponto chegamos: "Tristão + Isolda" com músicas do Evanescence, aquele cruzamento de Linkin Park com Tori Amos... Mais anacrônico, impossível. Pior: o site oficial do filme abre com um tal de Gavin Degraw (alguém sabe de que inferno saiu isso?) cantando "We belong together". Wagner deve estar se revirando no túmulo. E tem mais: é dirigido pelo mesmo Kevin Reynolds de 'Waterworld', aquele fracassado parque aquático. Tomara que Tristão e Isolda afundem junto com o 'Poseidon' e encontrem, lá em baixo, Jack, Rose e o Titanic.


Antes de Romeu e Julieta, havia o triângulo amoroso. Porque o amor é uma força da natureza.


Escrito por Daniel Malavasi em 23/06/2006
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16/06/2006
Você vai ver 'O código Da Vinci'? Eu não

Não vou ver porque:

1) Esse filme tem uma única razão para existir: servir de assunto para o pessoal da repartição ter o que conversar no dia seguinte. O tema até poderia ter rendido um thriller interessante, mas nas mãos do Ron Howard, um diretor medíocre, vai virar uma discussão rasa com uma conclusão senso-comum. Para o público americano entender.

2) Depois de ter sido obrigado a ver o indigente "Uma mente brilhante" há alguns anos, me recuso a pagar 15 dinheiros para ver qualquer outro filme do Ron Howard. Se ele um dia já fez filmes infantis vagamente divertidos ("Splash", "Coccon" e "Willow"), hoje dão crédito demais (leia-se orçamento) para um diretor contar uma história como se tivéssemos 9 anos de idade.

3) Eu não li o livro. Nem vou ler. O que faz com que o meu interesse pelo filme seja ainda menor.

Quer ver cinema de verdade? Veja "Caché". Há comentários interessantes sobre o filme aqui e aqui.


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Este blog começa assim. Mau humorado, potencialmente polêmico e querendo sempre mais da arte cinematográfica. Porque cinema é a maior diversão, mas não subestime a nossa inteligência.


Escrito por Daniel Malavasi em 16/06/2006
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Gotas esporádicas
de veneno e mau humor
contra a mediocridade.
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